sábado, outubro 19

coração sertanejo

Com certeza você já deve ter ouvido aquela frase “home is where your heart is.” (Lar é onde seu coração está.) Pois bem, sempre achei que eu fosse uma pessoa muito urbana, pregava amar o cinza, o barulho, a correria da cidade, as roupas de marca, mas por volta de dois anos para cá, (um ano e oito meses para ser mais exata) descobri um lugar que roubou meu coração. O sertão. Uma cidadezinha, chamada Delmiro Gouveia. Divisa com Paulo Afonso – BA.
Lá encontrei uma cidade pacata, de interior, mas mais desenvolvida do que minha ideia retrógrada e preconceituosa imaginava. Delmiro só tem me dado presentes bons, desde que lá cheguei. Primeiro foi um dos melhores carnavais da minha vida, e com ele, meu namorado, que me apresentou a uma segunda família. Além disso, me deu de presente momentos dos quais nunca vou esquecer, e que hoje em especial, estão vindo com tudo na minha memória.
Estou lembrando do cheirinho de comida que vinha da cozinha, enquanto tia Lela gritava por nossa ajuda pra pôr a mesa. Estou lembrando da calmaria da rua, da casa, do canto dos pássaros. Estou lembrando de acordar com o arranhar do Deco na porta, pra deixá-lo entrar e pular na cama ao meu lado, voltando a dormir com a patinha acariciando o meu rosto. Estou lembrando de levantar cedo, e ter tio João sentado à mesa, com seu copo de cerveja, e a carne de bode como tira-gosto, cantando ‘Os Nonatos’ acompanhando o som que sai do rádio velho, com Conca nos seus pés.
Estou lembrando de ajudar Marcela a trocar o curativo da Lobinha passando mal pelo cheiro de sangue coagulado e bandagens, mas mesmo assim, ajudar, porque só tinha eu mesma pra ajudar. Estou lembrando de sair de casa e ir sentar no banco da praça, e o pessoal ir passando, e ir ficando, e quando a gente se dá conta, tem uma galera enorme conversando, bebendo, brincando, dançando, cantando. Estou lembrando de ficar na rede olhando o céu estrelado esperando a “fila” do banheiro pra sair a noite pros shows na praça no sábado a noite, e chegar em casa bêbados, um carregando o outro, pra ir assaltar a geladeira e a comida que tia Lela deixou preparada esperando para quando chegássemos varadas de fome.
Estou lembrando de tudo que é bom, e desejando muito mais de tudo isso. Pela primeira vez, estou pensando que “por que não?” Por que não ficar lá? Por que não tentar?

Talvez seja só eu e minha mania horrível de me anular para estar ao lado de quem amo. Talvez seja minha impulsividade, irresponsabilidade até! Mas o que sei, é que por hoje, eu queria estar lá, eu queria aquela vida pra mim.

sexta-feira, outubro 11

Tpm-depressao

É incrível eu passar o dia inteiro com um nó na garganta, agoniada, angustiada, prendendo choros que insistiam em sair aos poucos nos momentos de distração. É incrível minha ansiedade, minha impaciência, minha louca necessidade de estar perto. Mas ai então, como mágica, com uma frase; "relaxa minha pequena", tudo passa, tudo acalma dentro de mim. Como se cada célula do meu corpo ouvisse e obedecesse a sua ordem. Talvez seja esse seu jeito de falar baixinho, mansinho, calmo, que fala direto pro meu coração. É incrível o poder que você tem sobre mim. Sobre o meu corpo, sobre meus sentimentos, minha alma, meu coração.
O que dizer depois dessa calmaria, que estou sentindo pela primeira vez nessa semana inteira!? Obrigada. Obrigada por existir, e por estar no lugar que você está; no meu coração. Eu amo você.